Implementar inteligência artificial não é sobre ferramentas. É sobre pessoas.
Estratégia, liderança e processos bem estruturados são fundamentais para transformar a inteligência artificial em resultados reais. Confira sete aprendizados do Operational Excellence & Business Transformation Summit.
A inteligência artificial está transformando a maneira como as empresas trabalham e tomam decisões. Mas será que estamos realmente preparados para implementar essas soluções?
Estou participando do Operational Excellence & Business Transformation Summit, um encontro de três dias que reúne líderes e profissionais envolvidos em iniciativas de excelência operacional e transformação empresarial.
O primeiro dia reforçou algo que observo ao longo da minha trajetória profissional: a tecnologia pode acelerar processos, mas são as pessoas que determinam a qualidade dos resultados.
Por que tantas empresas encontram dificuldades para implementar IA?
Ferramentas existem em abundância. O verdadeiro desafio está em preparar pessoas, alinhar objetivos e estruturar processos.
Muitas organizações possuem estratégias e informações, mas enfrentam dificuldades para transformar esse conhecimento em ações coordenadas.
A implementação de inteligência artificial exige comunicação clara, transparência e lideranças preparadas para conduzir mudanças em todos os níveis.

Sete aprendizados sobre inteligência artificial e excelência operacional
1. Estratégia: construir uma realidade compartilhada
O problema nem sempre é a ausência de estratégia, mas a falta de alinhamento entre as equipes.
Quando diferentes departamentos interpretam os mesmos desafios de maneiras distintas, a execução perde eficiência.
A IA pode acelerar análises, mas não substitui uma compreensão compartilhada sobre prioridades e objetivos.
2. Inteligência emocional lidera a transformação
Implementar novas tecnologias exige mais do que conhecimento técnico.
Lideranças precisam desenvolver comunicação, colaboração e capacidade de adaptação.
São pessoas preparadas que conduzem transformações bem-sucedidas, não apenas softwares sofisticados.
3. Volume de informações não significa resultado
De que adianta produzir três relatórios por semana se ninguém os lê ou transforma suas conclusões em ações?
A inteligência artificial facilita a produção de informações, mas seu verdadeiro valor está em apoiar decisões.
Produtividade não é produzir mais. É transformar conhecimento em execução.
4. Diversidade de inteligências produz melhores soluções
Reunir profissionais de diferentes áreas permite analisar problemas sob múltiplas perspectivas.
Um mastermind interno, envolvendo operações, tecnologia, finanças e gestão, amplia a capacidade de identificar riscos e encontrar soluções.
A IA contribui com análises, enquanto a experiência humana oferece contexto e senso crítico.
5. Desenvolver ou contratar soluções prontas?
Nem sempre desenvolver uma ferramenta própria representa vantagem competitiva.
Quando uma solução madura já existe, contratá-la pode economizar tempo e recursos.
Por outro lado, processos específicos que representam diferenciais competitivos podem justificar o desenvolvimento de agentes inteligentes personalizados.
A decisão deve considerar eficiência, custos e retorno esperado.
6. A IA não corrige processos mal estruturados
Um exemplo apresentado no evento envolveu empresas que processam cerca de 100 mil invoices diariamente e realizam pagamentos duplicados por falta de controles adequados.
Na minha experiência em logística, observo problemas semelhantes quando o recebimento de mercadorias considera apenas o packing list, sem cruzamento com a nota fiscal e o pedido de compra.
Sem processos mapeados, responsáveis definidos e dados confiáveis, a tecnologia pode apenas acelerar erros.
Antes de automatizar, precisamos compreender a causa raiz dos problemas.
7. Hábito, velocidade e escala
A transformação digital não acontece em um projeto isolado.
É necessário desenvolver o hábito de avaliar diariamente quais tarefas podem ser aprimoradas com inteligência artificial.
Pequenas melhorias contínuas podem gerar ganhos expressivos de produtividade, qualidade e velocidade operacional.
O impacto da IA no comércio exterior e na supply chain
Com quase 20 anos de experiência em comércio exterior, logística e supply chain, especialmente no corredor Brasil–Estados Unidos–China, reconheço oportunidades importantes para aplicação da IA.
Análise documental, avaliação de fornecedores, identificação de inconsistências e planejamento logístico são algumas delas.
Entretanto, nenhuma tecnologia substitui a necessidade de compreender mercados, antecipar riscos e estruturar operações confiáveis.
O primeiro dia do evento reforçou uma convicção:
A eficácia de uma transformação acontece quando você prepara a sua mentalidade para fazer certo, do começo ao fim.
A verdadeira transformação acontece quando pessoas, processos e tecnologia trabalham juntos.
E na sua empresa, o maior desafio para implementar inteligência artificial está nas ferramentas ou nas pessoas?

João Rezende | Fundador da JFB Market Supply